Como ler o rótulo de um vinho

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Como ler o rótulo de um vinho

Conteúdo para maiores de 18 anos. Beba com moderação.

O rótulo de vinho é feito para vender, não para informar. Mas quatro informações dele são obrigatórias e não mentem — e com elas você já escolhe melhor que a maioria.

Os quatro itens que importam

1. A categoria. No Brasil, o rótulo é obrigado a dizer vinho de mesa ou vinho fino. Mesa é uva americana, doce e barata. Fino é uva europeia. É o item que mais determina o que você vai sentir, e quase ninguém olha. Entenda as uvas

2. A doçura. Seco, meio-seco (ou demi-sec), suave. Está sempre lá, muitas vezes em letra pequena no verso. Como saber se o vinho é doce

3. A uva ou a região. Rótulo do Novo Mundo (Chile, Argentina, Brasil) traz a uva em destaque: Malbec, Cabernet Sauvignon. Rótulo europeu traz a região: Rioja, Douro, Chianti, Bordeaux — e você precisa saber que uva se planta ali. É a diferença de cultura que mais confunde brasileiro em prateleira de importado.

4. O teor alcoólico. É o dado mais subestimado do rótulo, porque é um indício indireto e difícil de maquiar:

teoro que quase sempre indica
até 11%suave, leve, provavelmente de mesa
12% a 13%seco de corpo médio
acima de 13,5%seco, encorpado, quente na boca

A safra: quando importa e quando não

Safra é o ano da colheita, não o ano do engarrafamento.

Importa em vinho fino de regiões de clima instável — Bordeaux, Borgonha, Toscana —, onde um ano chuvoso muda a colheita inteira.

Não importa em vinho de mesa suave, em espumante Charmat barato e na maior parte do vinho de supermercado: são produzidos para ter o mesmo sabor todo ano, e conseguem.

E safra não é validade. Vinho de mesa suave deve ser bebido em 1 a 2 anos da safra; quase nenhum vinho barato melhora com o tempo. Quais vinhos ganham com a guarda

Os selos: quais dizem algo

Dizem algo:

  • DOC, DO, DOCG, AOC, IG — denominação de origem. Garantem procedência e regra de produção, não que você vá gostar.
  • Medalhas de concurso — Decanter (DWWA), Concours Mondial de Bruxelles, Effervescents du Monde. São provas às cegas com júri. O melhor espumante brasileiro tem Ouro no Decanter
  • “Reserva” — só tem valor legal em alguns países (Espanha e Itália, por exemplo, exigem tempo mínimo de barrica). No Brasil e no Chile, não é regulado e pode ser só nome comercial.

Não dizem nada:

  • “Premium”, “Selection”, “Gran”, “Edição Especial” sem denominação
  • Medalha de concurso que você nunca ouviu falar
  • Castelo desenhado no rótulo

O verso, que é onde está a verdade

A contra-rótulo tem o que a frente esconde: importador, quem engarrafou, contém sulfitos (praticamente todo vinho contém, é conservante normal e não é defeito), e muitas vezes a classificação de doçura.

Se a frente diz muito e o verso diz pouco, desconfie: quem tem procedência, informa.

Perguntas frequentes

O que significa a porcentagem no rótulo do vinho? É o teor alcoólico em volume. 13% Vol. significa que 13% do líquido é álcool. Serve como pista de corpo e doçura: quanto mais açúcar a uva tinha, mais álcool o vinho tende a ter — a menos que o açúcar tenha ficado, e aí o vinho é doce e de álcool baixo, como os suaves de mesa.

O que significa várias uvas no rótulo? É um blend ou corte: o vinho foi feito com mais de uma casta, geralmente para equilibrar o que falta em cada uma. Comum em Portugal, Espanha e Bordeaux.

Vinho sem safra no rótulo é ruim? Não. Significa que é um corte de anos diferentes, feito para manter o sabor constante. É a regra em espumante barato e em vinho de mesa — e também no Champagne não-safrado, que não é barato.

“Vinho de mesa” é inferior? É uma categoria legal, não uma nota. Quer dizer uva americana. O que é justo dizer é que ele não compete com vinho fino no mesmo critério — são bebidas diferentes.

O que quer dizer “seco” se o vinho tem gosto de fruta? Seco é sobre açúcar, não sobre aroma. Um vinho pode ter aroma intenso de fruta madura e não ter açúcar nenhum. Essa confusão faz muita gente dizer que não gosta de seco quando na verdade não gosta de tanino.

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