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Como curar ressaca de vinho

Este texto é informativo e não substitui orientação médica. Evite paracetamol após consumo de álcool sem orientação profissional. Procure um médico se houver vômito persistente, confusão mental ou dor intensa.

Começando pela parte honesta: não existe cura para ressaca. O que existe é aliviar sintomas enquanto o corpo termina o serviço. Todo produto vendido como “cura” está vendendo, na melhor das hipóteses, hidratação cara.

Por que a ressaca acontece

Quatro coisas acontecem ao mesmo tempo:

  1. Desidratação — o álcool inibe o hormônio antidiurético, então você urina mais do que bebe.
  2. Perda de sais — junto com o líquido vão sódio, potássio e magnésio.
  3. Acetaldeído — o produto intermediário do metabolismo do álcool, tóxico e responsável por boa parte do mal-estar.
  4. Sono ruim — o álcool acelera o adormecer e destrói a qualidade da segunda metade da noite.

O que ajuda de verdade

Água e sal, juntos. Só água dilui ainda mais o sódio. Água de coco, soro caseiro, sopa ou um caldo salgado funcionam melhor que água pura.

Comida com carboidrato. O álcool derruba a glicose, e boa parte da moleza vem daí. Pão, arroz, banana, batata.

Analgésico comum, se houver dor. Ibuprofeno ou dipirona costumam ser as opções. Paracetamol é o que se deve evitar perto do álcool, porque ambos passam pelo fígado pela mesma via. Na dúvida, pergunte na farmácia.

Dormir. É o único item da lista que efetivamente acelera a recuperação.

Tempo. Nada metaboliza álcool mais rápido que o fígado no ritmo dele.

O que não ajuda

  • Beber mais (“sanguessuga”, “corrigir”) — apenas adia. A ressaca volta maior.
  • Café em excesso — é diurético e piora a desidratação. Uma xícara para a dor de cabeça, tudo bem; três, não.
  • Banho gelado — acorda, não desintoxica.
  • Chás milagrosos e “detox” — o fígado não precisa de ajuda externa e não existe evidência a favor.
  • Suar na academia — perde mais líquido ainda. Exercício fica para depois de reidratar.

Por que o vinho às vezes dá mais ressaca

A resposta mais provável é a mais chata: quantidade. Vinho se bebe em taça, e perde-se a conta com facilidade — cinco taças de 150 ml são uma garrafa inteira.

Três fatores secundários costumam ser citados:

  • Congêneres — substâncias da fermentação, mais presentes em bebidas escuras. Tinto tem mais que branco, e isso pode pesar um pouco.
  • Vinho suave — o açúcar acelera a absorção e o consumo tende a ser maior porque desce fácil.
  • Sulfitos — levam muita culpa e têm pouca prova. Reação real a sulfito é rara e atinge principalmente asmáticos. Frutas secas têm mais sulfito que vinho e ninguém culpa o damasco.

Prevenção, que é o que funciona de fato

  • Coma antes. Estômago cheio retarda a absorção.
  • Uma água entre cada taça. É a medida com melhor retorno da lista.
  • Beba devagar. O fígado processa cerca de uma dose por hora; acima disso, acumula.
  • Feche a noite com água e algo salgado.
  • Conheça o seu limite e pare antes dele, não nele.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura? Costuma durar de 8 a 24 horas, com pico algumas horas depois de o álcool zerar no sangue. Piora com a idade.

Vinho sem álcool dá ressaca? Não. Sem álcool, não há nem desidratação nem acetaldeído. Ver qual o melhor vinho sem álcool.

Comer gordura antes ajuda? Retarda a absorção, então o pico fica menor. Não muda o total de álcool que o corpo terá que processar.

Vinho mais caro dá menos ressaca? Não há evidência disso. O que muda é que vinho bom costuma ser bebido mais devagar e em menor quantidade — o que, no fim, dá no mesmo resultado por outro motivo.

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